(...) me guia cegamente.

                 Viver ultrapassa as questões concretas pelo qual enfrentamos diariamente. Andando pelas ruas a cada nova manhã, os passos alternantes que dou, não são meus. E sim de algo que me guia cegamente. Trago nesses passos, o ar. Nem todos trazem consigo a coragem que está em meus pés, e com a mente envolvida em pensamentos, articula inúmeras comparações do que está por vir. São pessoas como eu. Da mesma estatura, ou nem sempre. Algumas estão aprendendo a sonhar, outras se encontram receosas dos sonhos, então acabam permanecendo como almas perambulantes, sem um caminho a seguir à frente. Talvez aquele belo senhor dando comida aos passarinhos, sentado no banco da praça, de afeição serena, seja apenas uma criança gritante em seu interior, pedindo abrigo o seu próprio mundo sem dono. Mas nunca encontrou seu fim. Ele não quer viver, mas possui coragem o suficiente para ir além aos seus pensamentos, porém, usa aquele ato de dar comida aos pássaros como refúgio de tais.
O mundo não de uma bola insignificante que gira no espaço entre tantos outros planetas. Que gira, gira, e nunca está satisfeito com o seu processo giratório, e gira mais uma vez. Temos também nossos momentos de insatisfação. Já fomos ou seremos a sombra de alguém. Mas também podemos ser o sol. Amanhã posso ser a lua, o mundo. E outra vez, a sombra. Um paradoxo alucinante, não? De novo, a nossa insatisfação prevalece. Viver acaba não passando de um ciclo extremamente vicioso, rotineiro e que você sabe aonde ir, mas quer tentar o novo, o novo pode não ser o correto, mas quem se importa? As consequências virão, e a aprendizagem também. Assim como aquele senhor, também me encontro às vezes, refugiada do mundo, mas não da vida interior que buscamos de uma força maior. Faço-me artificial, com emoções fixas e duradouras para enfrentar os próximos dias. O porquê é simples, porém, complexo. Talvez seja apenas por estar viva, e não imagino encontrar em alguma esquina uma placa descrita com a frase: Este é o fim.  A cidade se prepara para dormir outra vez, e o mundo para girar. E nós nos preparamos para o quê? Além de viver.

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